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TAG: 10 PERGUNTAS DA GABRIELA





10 PERGUNTAS DA "JEY"

A lindona da Jeciane Cruz, fez visitinha aqui e me avisou nos comentários que tinha tag pro Tromba responder no seu blog Sunshine Blogger Award. Deixarei a  tag em aberto pra quem quiser responder também.




1. Qual é a sua música favorita no momento?

Nothing Compares to you, letra do Prince, cantada por Sinéad O'Connor. 


2. Qual é a sua motivação para escrever no seu blog?
Ultimamente, nenhuma. Mas eu gosto dele.

3. Gosta de algo que nem todo mundo gosta ou é "estranho"?
Cemitérios. Eu realmente me sinto bem em cemitérios. Além do fato de eu me sentir feliz ouvindo Radiohead, amar as obras de Ray Caesar e gostar muito, mais muito mesmo, de filmes de fantasminhas.

4. Você tem uma filosofia de vida?
Sim. Conhece a ti mesmo. 

5. O que você diria para o seu eu do passado?
Você está no caminho certo, e nem precisava se estressar tanto.

6. Qual é seu livro favorito ever?
Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.

7. Tem alguma série ou filme que você goste muito? Por quê?
Eu gostei muito de Black Mirror. Porque mostra bem o nosso lugar no mundo. Como somos fúteis, cotianos e tributáveis (já dizia Fernando Pessoa).

8. Qual é a sua profissão dos sonhos?
Ser juíza estadual.

9. Tem algum animal favorito?
Sim, minhas gatas. Adoro animais. Amo gatos, cachorros, papagaios, periquitos (pássaros só em liberdade).

10. Tem algo que você precisou aprender sozinho porque ninguém poderia fazer por você? 
Praticamente tudo que sei.



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Canteiros de Framboesa



Dias atrás, me lembrei de uma música que eu amava na adolescência. Até sabia tocar no violão, mas tinha anos que eu não colocava ela pra tocar: falo de Canteiros, do cantor Fagner. A letra é barra pesada, muito comovente.

Lembro que eu soube que Fagner na verdade, cantava um poema de Cecília Meireles, e a gente até encontra a letra da canção do Fagner como autoria de Cecília Meireles, nesses blogs de pessoas metidas a saber tudo (hahah)

Mas na verdade, apesar de ser nítida que a música de Fagner tem muito do poema da maravilhosa poetista, Cecília escreveu algo bem mais forte e diferente. Até mesmo porquê, a escrita de um poema dá margem pra isso, ao contrário de uma canção que tem que ser mais simples e limitada. Mesmo assim, Fagner foi fabuloso. Acho canteiros uma das músicas mais lindas que já ouvi.

Mas Fagner enfrentou as filhas da escritora, sob acusação de plágio. Você pode saber mais nesse blog aqui:livro leve solto, que conta o caso explicadinho e afirma que tudo acabou bem, após longos anos de litígio, com um acordo judicial firmado entre as partes.

Mas o blog também trás só uma parte do poema de Cecília Meireles, que é a parte que inspirou o cantor a escrever Canteiros.

O verdadeiro nome do poema é Marcha e encontrei ele completo no blog Factível – Idéias e lembranças. Abaixo, fiz minha própria versão, colocando as partes que mais me tocaram, mais ou menos como Fagner fez, né seu danadinho? rsrrsrs


(...)Vamos a passo e de longe;
entre nós dois anda o mundo,
com alguns mortos pelo fundo.
As aves trazem mentiras
de países sem sofrimento.
Por mais que alargue as pupilas,
mais minha dúvida aumento.

Também não pretendo nada
senão ir andando à toa,
como um número que se arma
e em seguida se esboroa,
– e cair no mesmo poço
de inércia e de esquecimento,
onde o fim do tempo soma
pedras, águas, pensamento. (Deus que lindo)

Gosto da minha palavra
pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando é linda, amarga
como qualquer fruto agreste.

Mesmo assim amarga, é tudo
que tenho, entre o sol e o vento:
meu vestido, minha música,
meu sonho e meu alimento.

(...) Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos tristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentamento. (essa é a parte mais usada na canção de Fagner)

(..) Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento…
Não há lágrima nem grito:
apenas consentimento. (Vide poema completo aqui.)



É tão linda a versão dele e o jeito que ele canta. Minha parte preferida que ele introduziu com certeza é:

“Nem aquilo a que me entrego 
Já me dá contentamento”

(...)Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza 
(ah, Fagner, como eu queria)


Também concordo com o comentário do leitor "José" lá do blog Factível – Idéias e lembranças, sobre essa parte da música/poema que só quem sente, entende o quanto é consolador ler e se ver representado.

José
Nem aquilo a que me entrego / já me dá contentamento
Esse foi o verso mais forte, o que me pegou de jeito. Ele é metade do Fagner, metade da Cecília. É tão bom que o verso anterior ergue um pedestal para ele: “Correm os meus dedos longos / em versos tristes que invento”.

Nota: No próprio Blog Factível – Idéias e lembranças, existe um comentário de uma leitora dizendo que possui o livro onde foi publicado o poema. Entre vários comentários dizendo que algumas estrofes estavam erradas e outras distorcidas, a leitora explicou o seguinte:

Andra Valladares
Tenho um livro da Cecília Meireles – Coleção Melhores Poemas da Global Editora, com textos selecionados por Maria Fernanda, filha da autora.
“Vamos a passo e de longe;
entre nós dois anda o mundo,
com alguns vivos pela tona,
com alguns mortos pelo fundo.
As aves trazem mentiras
de países sem sofrimento.
Por mais que alargue as pupilas,
mais minha dúvida aumento.”
No quinto verso da quinta estrofe há um erro, o verso é “soltam-se os meus dedos tristes”.
Ao contrário do que o Eduardo escreveu, o sétimo verso é mesmo “quebram a ideia do movimento”. Contudo na segunda estrofe você pulou o terceiro verso (com alguns vivos pela tona,). A estrofe completa é assim:
Não devemos deixar aqui nossa homenagem à Cecília Meireles. Tão linda, tão positiva, tão atenciosa aos detalhes de tudo e com seus olhos bondosos, via poemas até num lençol ao vento a secar.

Cecília Meireles, Google Imagens


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Abandonner


Eu desisto de você.
Como no dia em que desisti viver em harmonia com minha mãe e de como eu desisti de convencê-la das minhas boas intenções.
Eu desisto, como desisti do Direito. E de tentar não ser vencida pelo Estado. Assim como desisti de ver justiça e a falta de procrastinação nos olhos dos homens que, covardes, escondem-se atrás da burocracia.

Eu desisto de você como eu desisti das relações com meus amigos e como eu desisti de fingir não perceber seus  olhares sobre mim.
Eu desisto de você como eu desisti de ter fé nos homens, de suas intensões e das paixões banais que parece-me ser tudo que eles tem a oferecer.

Eu desisti de você, assim como eu desisti do amor, nas suas formas infinitas, que guardei por tempos em uma caixinha, com laços e apetrechos especiais.

Eu desisto de você assim como eu desisti da animosidade humana e barata. Assim como eu desisti da simpatia meticulosamente preparada para a vida em sociedade.
Eu desisti de você, assim como desisti de acreditar nos laços que chamam de família, naquilo que chamam de amor fraternal.

Eu desisto de você, pura e simplesmente, como eu desisti de ver amor no meu pai. Assim como eu desisti dos meus amigos quando criança e principalmente, da mesma forma que fui forçada a desistir da minha infância.



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"Não há necessidade algum de ter medo. Você pode perder apenas aquilo que tem que ser perdido. E é bom que perca logo - porque quanto mais tempo ficar, mais forte aquilo se torna." 

Osho.






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