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Macabéia e Olímpico

Ela o amava. Certa vez, ele a pediu para que desligasse a música, que ela estava ouvindo. Isso a magoou profundamente. Ela acreditava que a música era a representação da sua alma, e de certa forma, ele não queria ouvir, o que sua alma tinha a dizer. Disse que seu gosto musical era tristonho demais.
Ela também gostava de decorar a casa. Queria encher as paredes de borboletas, o teto de pássaros e a cozinha de flores. Mas novamente foi reprendida. Ele disse que nada daquilo era realmente útil ou necessário.
Certa vez, ela se apaixonou por jogos de estratégias e xadrez, mas ele a avisou que não jogaria com ela, porque aquilo era chato demais.
Então ela quis assistir grandes filmes, filmes de amor, de terror e de suspense. Mas ele sempre dormia e dizia que os seus filmes de fantasminhas eram monótonos demais. 
Ela percebeu que ela se tornara um pouco Macabéa e ele o Olímpico, aqueles personagens de Clarice Lispector. E ela se sentiu muito triste, muito, muito triste.

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Tanto que vou até cantar uma canção: Você é lindo (a), mais que demais, você é lindo (a) sim, onda do mar.... (lá, lá, lá, láaaaaaa)

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