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Agonizante Realidade

A dor invade meu coração as vezes. Essa dor que chega sem sabermos ao certo porque. Identificar o motivo da dor, é uma das coisas mais difíceis de se fazer. Porque as vezes, identificamos o motivo de forma errônea. Geralmente culpamos o primeiro que vimos na nossa frente, aquele que definimos mais fraco. Mas na maioria das vezes, nenhum ser tem culpa dessa dor, que geralmente, é algo que  nós mesmos criamos. 

Apenas convocamos pessoas para representar nossa dor.

Assim, não a identifico. Passo a culpar as vasilhas sujas na pia, e ao fato dele nunca colocar as coisas em seu devido lugar. Uma vida toda pra entender, um milhão de coisas pra conquistar, e eu entregue a minha mania de limpeza e organização: uma sacola fora do lugar, alguns talheres sem lavar. Aquela mania de "eu guardo isso depois" me fincando no peito como um punhal.

Faço disso um motivo pra discutir. Preciso desabafar a dor, e eu nem sei o que ela é. Mas posso desabafar o fato de a cozinha não estar devidamente limpa como eu queria. É tão fácil. 
E tão inútil.

Percebo a inutilidade do meu ato. Me revolto. A dor agora aperta meu coração de forma tão forte, que eu tenho dificuldade de respirar. É impressionante como nosso corpo reage as nossas emoções, como estão inevitavelmente ligados, a minha respiração, o pulsar do meu coração à aquilo que sinto.
Penso que vou infartar.

Peço ajuda a um amigo. Digo que estou triste e que a dor está insuportável e ele me envia um artigo, sobre caminhos. Um texto longo, algo tentando me convencer sobre as boas do caminho do meio. Mais um texto de mais um ser humano que acredita ter encontrado o caminho certo.

É tudo tão claro. 
É tão óbvio.
Como aqueles textos espíritas, desses espíritas arrogantes, tão possuidores da sabedoria. Tão avançados. Tão perfeitos. Tão possuidores da verdade.

Pergunto-me: Onde estão os tortos? Onde estão aqueles que não sabem a respostas? Que ainda não encontraram o caminho? Onde está os perdidos? Os comedores compulsivos? Pra onde foram os alcoólatras?

Onde estão as mulheres que chegaram ao cinquenta arrependidas e cheias de culpa? Onde estão as moças escravas do peso, obcecadas por emagrecimento?
Onde estão os jovens que ainda buscam, inutilmente, o reconhecimento? Onde estão os falidos? Aqueles que odeiam suas origens?

Onde estão os sozinhos, aqueles que enchem suas casas de fotos de pessoas que se foram, pra preencher o vazio? 

Onde estão os tortos?

Todos tão perfeitos. Sabem tanto. Como nos mostram seguros sobre nossos erros. Como riem e debocham das nossas falhas. Como fazem conosco, exatamente como outros fizeram com eles mesmos!

A gente vive em um mundo de aparências. Ganha aquele que aparenta ser mais seguro e cheio de sí. Ganha aquele que mais finge estar satisfeito e feliz. Ganha aquele que finge não se importar com o dinheiro, mas deixa amores pra trás pra viver com pessoas mais ricas.
Ganha aquele que chora de solidão todos os dias, que viaja sozinho, porque não tem mais ninguém. Que preenche paredes vazias, de fotos vazias. Fotos com aparência feliz.

Todos tão lindos. Todas as famílias tão lindas, todos se amam tanto.
Seus lindos. Seus fingidos!


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