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O Amor do Pequeno Príncipe


Estou apaixonada pelo livro, um livro que ainda não li. Apenas alguns fragmentos. Pequenos pedaços que parecem ser do meu coração, jogados por aí. Acho que fui Antoine de Saint-Exupéry na outra encarnação. Quem me dera ter sido amada por ele assim.
Procuro o livro pra baixar na internet, mas não encontro.
Tão pouco nas livrarias da minha cidade.
Li alguns comentários de leitores, que o acharam decepcionante, por seu pouco conteúdo: É um livro muito pequeno,-disseram- menor que "O Pequeno Príncipe", eu queria mais. 
As pessoas não se cansam de confundir proporções com qualidade. É o mal do nosso tempo.
Por enquanto, saio a procura de pequenos fragmentos de leitores amáveis que reproduzem tudo de lindo que leem por aí. Como esse aqui que eu achei no Tumblr Perfeita Simetria:

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Desde agora, cinco horas da tarde, até a hora em que for dormir, estarei sozinho, porque disse a todos os meus amigos que estava muito cansado e não queria ver ninguém. A menininha para quem cuidadosamente reservei esse tempo livre nem se deu o trabalho de me avisar que não viria. Descubro com melancolia que o meu egoísmo não era tão grande assim, pois dei ao outro o poder de me magoar. Menininha, foi com carinho que lhe dei esse poder. É com melancolia que a vejo usá-lo. Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda e diz: “Era só um conto de fadas…” E a gente sorri de si mesmo. Mas, no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida. A espera, os passos leves. Depois as horas que correm frescas como um riacho em meio à relva sobre seixos brancos. Os sorrisos, as palavras sem importância que são tão importantes. Escutamos a música do coração: é linda, linda para quem sabe ouvir… Queremos muitas coisas, é claro. Queremos colher todos os frutos e todas as flores. Queremos sentir o cheiro de todos os campos. Queremos brincar. Será mesmo brincar? Nunca sabemos onde começa a brincadeira nem onde ela acaba, mas sabemos que somos carinhosos. E ficamos felizes. Não gosto da estação interior que substituiu minha primavera: uma mistura de decepção, de secura e de rancor. Mergulho num tempo vazio onde não tenho mais motivo para sonhar. O mais triste num sofrimento é se perguntar: “Vale a pena?” Vale a pena todo esse sofrimento por quem nem mesmo pensa em avisar? Certamente não. Então nem sofrimento se tem mais, e isto é ainda mais triste. Não há Pequeno Príncipe hoje, nem haverá nunca mais. O Pequeno Príncipe morreu. Ou então tornou-se cético. Um Pequeno Príncipe cético não é mais um Pequeno Príncipe. Fiquei magoado com você por tê-lo destruído. Também não haverá mais carta, nem telefonema, nem sinal. Não fui muito prudente, e não pensei que pouco a pouco, com isso, arriscava um pouco de sofrimento. Mas eis que me feri na roseira ao colher uma rosa. A roseira dirá: “Que importância eu tinha para você?” Chupo meu dedo, que sangra um pouquinho, e respondo: “Nenhuma, roseira, nenhuma. Nada tem importância na vida. (Nem mesmo a vida.) Adeus roseira.”

(Antoine de Saint-Exupéry)

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O título completo do livro é "O Amor do Pequeno Príncipe - Cartas a uma Desconhecida", uma coletânea de cartas, reproduzidas em fac-sí­mile e traduzidas para o português, com a finalidade de divulgar uma história de amor protagonizada pelo escritor e aviador francês durante seu último ano de vida. O livro traz ilustrações. Pois como dizia Alice: "Como se pode ler um livro que não tem gravuras?"



Atenção: depois que eu escrevi essa postagem eu consegui encontrar o livro. Disponibilizei o texto completo. Clique aqui e confira a belezura! 

Para saber da historinha sobre minha procura do livro e sua resenha, clique aqui.



Um comentário:

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Tanto que vou até cantar uma canção: Você é lindo (a), mais que demais, você é lindo (a) sim, onda do mar.... (lá, lá, lá, láaaaaaa)

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