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A Flauta Mágica de Mozart

Estou apaixonada por essa ópera e gostaria de compartilhar algumas coisas que eu descobri sobre ela com vocês.

Este é o caminho que te conduzirá a tua meta
Mas tu, jovem, terá que vencer como um homem maduro
Por isso, escutas nosso conselho:
Seja firme, paciente e calado.
E assim jovem, vencerá como um sábio.

A Flauta Mágica, ou Die Zauberflöte  (nome original em alemão) é uma ópera que fala do amor. Sua mensagem é ao mesmo tempo simples e profunda. Um casal que se ama só atinge o estado ideal de comunhão de almas quando os dois trabalham juntos na superação de inúmeras dificuldades que a vida lhes coloca, fortalecidos pela virtude e pela confiança. 
Sob esse aspecto, é uma fábula sobre o amor espiritual, puro e sereno, cuja moral foi tão bem aceita e assimilada em sua estréia (1791) quanto o é hoje.



Aspectos Maçônicos


Existe porém um outro aspecto que, embora facilmente percebido pelo público vienense da ocasião, hoje nos escaparia totalmente, se uma série de estudiosos não tivesse, ao longo do tempo, analisado a ópera em detalhes e publicado suas observações.

A Flauta Mágica é repleta de símbolos e alegorias relativos à Maçonaria, da qual faziam parte tanto Emmanuel Schikaneder, o autor do texto da ópera, quanto seu compositor, Mozart, que viria a falecer apenas dois meses depois da estréia, e que havia encontrado grande conforto espiritual no seio daquela fraternidade em seus últimos anos. 

O número três, muito importante tanto na filosofia quanto nos ritos maçônicos, é citado com freqüência no texto e na música. São três as damas que salvam Tamino do dragão, e três são os meninos que o conduzem às três portas dos três templos, o da Razão, o da Sabedoria e o da Natureza. A nona cena do primeiro ato tem como personagens três escravos de Monostatos. No início do segundo ato, Sarastro
responde a três sacerdotes sobre a iminente prova de Tamino, enumerando três atributos do jovem: Virtude (Tugend), Discrição (Verschwiegenheit) e Caridade (Wohltätig). 


Também o número dezoito, múltiplo de três, que dentro da hierarquia maçom equivale a um dos importantes Graus Capitulares, o de Soberano Príncipe Rosa-Cruz, aparecerá várias vezes. Sarastro faz sua primeira aparição na ópera durante a 18a. cena do primeiro ato. O libreto original observa que o cenário do início do segundo ato deve apresentar dezoito cadeiras onde se sentarão dezoito sacerdotes. 

O hino Isis und Osiris, welche Wonne (Oh Isis e Osíris, que alegria) entoado mais adiante pelos sacerdotes, tem dezoito compassos, e abre a 18a. cena do segundo ato. E Papagena, que aparece inicialmente como uma mulher muito velha, arranca risadas da platéia quando diz a Papageno ter apenas dezoito anos. O Grau Rosa-Cruz é citado indiretamente ainda quando os três meninos, ao trazer de volta a flauta mágica e o carrilhão, entram em cena, segundo o libreto, numa plataforma voadora coberta de
rosas. 

O lema daquele grau hierárquico, Virtude e Silêncio, enumera as qualidades exigidas de Tamino antes do início das provas. Um outro aspecto alegórico importante é que os principais personagens de Flauta Mágica representam, metaforicamente, personalidades ou instituições da vida real.
A Rainha da Noite

A perversa Rainha da Noite teria sido inspirada pela Imperatriz Maria Teresa, cujo governo de cunho absolutista, simbolizado pelas trevas que acompanham a personagem, proibiu a existência da Maçonaria. O belo príncipe Tamino seria na verdade José II, o filho de Maria Teresa que a sucedeu no trono. Seu governo foi muito mais liberal do que o da mãe, e permitiu que as assembléias maçônicas voltassem a se reunir. 

Sobre a Ópera


Foi preciso fazer alguns estudos antes de assistir a ópera completa. Principalmente porque ela só está disponível com legendas em espanhol, alemão e inglês no Youtube. A maioria dos vídeos estão com tradução em inglês e eu não domino essa língua. Com o espanhol, foi fácil entender os diálogos, principalmente aqueles que são em cânticos

A ópera é linda e cheia de mensagens que podemos usar por toda nossa vida, como trabalhar dia a dia, nossa caridade, a devoção ao amor e a importância do silêncio e da discrição. Aspectos dificílimos de serem alcançados. 

E não pense que é apenas uma ópera chata, não. Além de várias mensagem subliminares, ela também tem cenas super engraçadas, mesmo porque, quando Mozart e Schikaneder criaram a peça, a fizeram para ser apresentada para o público em geral e não para a elite. Ou seja, naquela época, apenas a burguesia tinha acesso a este tipo de espetáculo tão refinado, mas como Mozart andava sem moral com os burgueses, ele e seu amigo resolveram criar o espetáculo para o "povão" e inseriu muito divertimento, pois o diversão é o que o povo procura, já dizia Silvio Santos. 

Tendo que agradar ao povo, os criadores fizeram várias passagens bastante engraçadas e descontraídas,  coisa rara de se ver em ópera: "Apesar do tom solene, devido em grande parte à temática simbólica da peça, A Flauta Mágica também apresenta elementos do humor folclórico do Singspiel alemão, gênero musical típico da época, cuja maior característica era o diálogo falado, ao invés de cantado, e a presença de alguns personagens da comédia popular, como Papageno e Papagena". (trecho Wikipédia)

Mesmo assim, a obra é clássica e repleta de sabedoria, basta ter atenção.

A parte que eu adoroooooooooo, é aquela que trás uma das mais famosos árias da Rainha da Noite, "Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen, com os seus furiosos fás agudos.  
Pode crer, você, mesmo nunca tendo assistindo a ópera completa, já ouviu esta ária. Gosto dela porque lembra minha mãe..É bem assim que ela fica quando está furiosa! E acredite, não estou exagerando, ela é assim, exatamente! Mas eu também sou, quando fico farta com alguma coisa!! Suahsuahsuhasuhas




A obra completa com legenda em espanhol que eu assisti, pode ser conferida aqui.
Se você não conhece o roteiro de A Flauta Mágica, disponibilizei-o aqui
Com o roteiro, fica ainda melhor para entender a ópera.

Curiosidades:

- A ópera estreou em Viena no dia 30 de setembro de 1791 no teatro Freihaus-Theater auf der Wieden. Mozart foi o condutor da orquestra e Schikaneder, responsável pelo texto da ópera, também atuou no papel de Papageno. Tamino ficou a cargo do compositor Benedikt Schak, e a cunhada de Mozart, Josepha Hofer, assumiu o papel da Rainha da Noite, o mais difícil papel da ópera, uma vez que o alcance agudo da Rainha é quase impossível de executar. 

- Mozart perdeu "moral" com a burguesia maçônica, antes e após o lançamento da ópera, uma vez que o espetáculo revela vários segredos da maçonaria, como o processo de iniciação, simbologia e a devoção ao silêncio. Ele que já tinha dificuldades de arrumar emprego como professor ou músico de corte por causa do seu gênero libertador, enfrentou outras dificuldades maiores após a criação da peça, uma vez que todas as portas lhe eram fechadas, adoecendo e morrendo em absurda miséria, dois meses depois da estreia da obra.

- Em uma de suas cartas endereçadas à esposa, Constanze, Mozart demonstra sua satisfação quanto ao sucesso da ópera:

Estou voltando da Ópera; o teatro estava lotado, como sempre – o dueto ‘Marido e esposa, etc.’ E a música dos sininhos, no primeiro ato, como de costume, foram repetidos – também o Terceto dos meninos, no 2º ato. – Mas o que mais me alegra é o aplauso constante! – Vê-se perfeitamente que essa ópera cresce sempre mais, e intensamente.

Dias depois, o compositor Antonio Salieri e a cantora Catarina Cavalieri foram recebidos por Mozart, que os levou para apreciar sua mais nova obra, que os deixou bastante impressionados, como explica na carta escrita à esposa no dia 14 de outubro de 1791:

"Tu não podes imaginar o quanto os dois [Salieri e Cavalieri] foram amáveis, o quanto lhes agradou, não apenas a minha música, mas também o libreto e todo o conjunto. – Disseram ambos: ‘É uma Ópera digna de ser apresentada nas mais importantes festividades, diante dos maiores monarcas. E eles, certamente vê-la-iam outras vezes, pois jamais viram espetáculo mais belo, nem mais agradável.’ – Ele ouviu e observou com a maior atenção desde a Abertura até o último coro, não houve um trecho que não tivesse arrancado deles um ‘bravo’ ou ‘bello’. E eles não se cansavam de dirigir-me intermináveis agradecimentos por esse favor".

De fato o desejo de Salieri e Cavalieri se concretizou, pois cerca de um ano após sua estreia, a ópera celebrou sua 100º apresentação em novembro de 1792, mas Mozart não teve o prazer de presenciar esse marco, morrendo no dia 5 de dezembro de 1791. 

Até hoje a ópera é uma das mais apreciadas pelo público de todo mundo, como comenta o compositor Richard Wagner:

"Os alemães jamais se cansaram de venerar o surgimento desta obra. Até então a ópera alemã praticamente jamais existira; ela foi criada com esta obra. A quintessência dos mais nobres botões da arte fundiram-se aqui em uma única flor. Que mágica divida sopra nesta obra, da mais popular canção ao hino mais sublime! Que versatilidade, que diversidade!"

Espero que vocês não morram sem assistir A Flauta Mágica.
Pois esta obra de Mozart, tem dois aspectos fascinantes: a história, quase infantil, que raramente chega às crianças, e a música que há 200 anos fascina os adultos.
Espero que nossas crianças sejam apresentadas a esta fábula e que elas saibam que existe vida após Crepúsculo!
Beijos para todos!





2 comentários:

  1. Um moço perguntou a Mozart como deveria proceder para compor uma sinfonia.
    - "Você é muito jovem", respondeu-lhe Mozart. "Porque não começa com baladas?"
    Retrucou-lhe o aspirante a compositor:
    - "Aos dez anos de idade o senhor já compunha sinfonias"
    - "É verdade", disse-lhe Mozart, "mas jamais perguntei a alguém como fazê-lo".

    ___________Bom dia Sabrina, um dia com carinho e afeto, com sabor de uva e sabor de menta.

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    Respostas
    1. Nossaaaaa!!! Vou publicar essa história amigo!! Adorei!

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