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Máquina breve


Tu es como um pequeno vaga-lume. Teu destino é ser breve. Por um instante-que tu pensas ser pra sempre- usarás teu brilho para manipular as mulheres. Oh, mal sabes tu, vaga-lume, que a porta do tédio se abre. A tua chama já enfraquecida, perdido sem luz, na escuridão que arde. Eu sinto o tédio nos teus futuros dias, eu vejo o esquecimento que terás como recompensa do teu ego covarde. Viverás de esmola de teus entes queridos, mofarás em um quarto a espreita da tarde. Porque condenou teu futuro, oh vaga-lume vagabundo, com teus motivos fúteis, com tua falta de caráter. E quando derrotado e falido, não penses que fora acometido de magia negra, ou de infortúnio na vida. Tu estarás colhendo apenas aquilo que mais plantou vaga-lume: a tristeza, o desamor. Sua avareza desmedida. 
(Sabrina Gomes)


O pequeno vaga-lume, com sua verde lanterna,
que passava pela sombra, inquietando a flor e a treva
— meteoro da noite, humilde, dos horizontes da relva;
o pequeno vaga-lume, queimada a sua lanterna,
jaz carbonizado e triste e qualquer brisa o carrega:
mortalha de exíguas franjas, que foi seu corpo de festa.

Parecia uma esmeralda e é um ponto negro na pedra.
Foi luz alada, pequena estrela em rápida seta.
Quebrou-se a máquina breve na precipitada queda.
E o maior sábio do mundo sabe que não a conserta.
(Cecília Meireles)

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