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arrependimentos

Infinita Highway by Engenheiros do Hawaii on Grooveshark

Ela: Oi Paixãooooooooooooo!!!!❤ ❤ ❤ ❤ ❤

Ele: E aí?


Quanto mais o tempo passa, mas me dou conta do quanto amei sozinha. Estou naquele estágio do arrependimento. Cada lágrima que eu derramei, por alguém que não me merecia, cada vez que eu pedi, (até implorei pra ele ficar). Eu estou no estágio da consciência: o momento que você se dá conta, do quanto foi idiota. Eu vejo novamente os olhares dos familiares e amigos: aquele olhar de pena, porque ele já havia dito pra todo mundo, o tipo de farpa que eu era no seu dedão. Só eu não havia entendido. E nisso, eu sinto pena. A tristeza agora, não é de saudades, não é de querer ele comigo pra sempre. A tristeza agora, é arrependimento. Mas sinto saudade do amor que eu sentia. Aquilo sim era bonito. O amor incondicional que me preenchia e que agora, eu sei e desejaria, que ele tivesse sido por qualquer outra coisa, menos para ele. Quem dera, eu tivesse direcionado meu amor a algum ofício ou atividade qualquer: fosse por um cachorro ou pela arte de decorar. Mas a vida é cheia de lástimas. E quando ele foi embora, eu fiquei com todo o sofrimento. Eles me disseram: Se vira com seus sentimentos, com todo seu sofrimento, porque seus sentimentos são inúteis e eles não são nossos problemas. Cá estou me virando com meus sentimentos. As vezes penso na próxima, naquela mulher, a próxima mulher que se machucará por dentro, assim, tão profundamente e por nada. Eu tenho pena dela. Tenho pena de todas as mulheres encarregadas de amar àqueles que não a amam nem a si mesmo. De tudo de ruim que posso falar, na minha pouca experiência de vida, a pior situação do mundo, que se pode ocorrer a um indivíduo na face dessa terra, é amar alguém que não se ama. E o amor próprio que digo, não aquele tão divulgado por aí, entupido de arrogância e de individualidade. Amor próprio, que falo, é de amor mesmo, de verdade, aquele amor que te invade tanto e que se torna vontade de amar e respeitar o próximo, seja quem for. 
Pra azar meu, amei 2 pessoas tão intensamente que eu morreria por elas: minha mãe e meu grande amor. Ambos não amavam nem a si mesmo, ou tinham o amor próprio distorcido. 
Você já se arrependeu de alguma coisa que fez? Engraçado, poque eu ouvi essa pergunta 2 vezes na minha vida e eu nunca a esqueci. A primeira vez, foi na infância, uma amiguinha em um clube, me perguntou enquanto nós desabafávamos sobre nossas vidas (como se tivéssemos vivido muito). A outra, foi já na fase adulta. Nas duas vezes que eu ouvi, eu respondi que não, mas com a sensação de que aquilo não estava certo, porque eu deveria ter me arrependido de muita coisa que eu tinha feito, mas a verdade, era que eu nunca me arrependia de nada. Eu tinha certeza que, se tudo acontecesse novamente, eu faria a mesma coisa, porque era aquilo que eu precisava fazer naquele momento.
Mas hoje, pouco importa se me dizem: todos nós precisamos passar por isso para amadurecer. É assim mesmo, isso vai passar. Pra mim pouco importa se era algo do qual eu precisava fazer ou aprender. Pela primeira vez na minha vida, eu me arrependo imensamente, cada atitude, cada prova de amor em vão, que eu prestei a uma pessoa que não merecia. Eu me arrependo muito, tão amargamente, que as vezes eu acho que vou me afogar. Ando tendo muito tento, me policiando, pra eu não me jogar de um lugar bem alto, ou pra não deixar esse arrependimento virar doença, uma ferida que de repente, acomete nosso corpo e nunca mais sara. Eu ando rezando muito, ficando aos cuidados de Deus e ele vem me ajudando, a não deixar tanto arrependimento virar algo que ensejará meu fim. 
Alguns sentimentos tomam vida própria. Hoje eu percebo que me apeguei mais no amor que eu cultivei por ele, muito mais do que por ele propriamente dito, Porque o amor que eu sentia por ele, era algo tão puro e tão lindo, era algo tão cheio de vida... e ele não era, definitivamente não era, nada disso. 

Mas a vida é boa com a gente e nos manda sempre, tudo aquilo que a gente precisa. E por isso, ela me colocou na frente desse pequeno texto de Martha Medeiros. Quando eu li, eu entendi a fase tão difícil que estou passando: a fase de ter que abandonar o melhor de si: o amor que sentíamos por aquele que partiu.

Despedida

Martha Medeiros

Existem duas dores de amor: A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,  com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados na dor que não conseguimos ver luz no fim do túnel.  A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.  A mais dilacerante é a dor física da falta dos beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado. Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos.  A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,  sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…  Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.  Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,  lembrança de uma época bonita que foi vivida… Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual  a gente se apega. Faz parte de nós.  Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,  mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente,  e que só com muito esforço é possível alforriar.  É uma dor mais amena, quase imperceptível.  Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’ propriamente dita. É uma dor que nos confunde.  Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos  deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por  ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,  que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.  Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.  É o arremate de uma história que terminou,  externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente…  E só então a gente poderá amar, de novo.

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