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Frida Kahlo

Essa semana eu assisti pela terceira vez o filme Frida Kahlo. E se você nunca assistiu, correeee pra ver. O filme é poético, é intenso! É lindo! Atuação perfeita de Salma Hayek. Arrisco dizer que foi a melhor interpretação que ela fez na vida!


A arte de Frida Kahlo

Maravilhosa! O que mais a gente pode dizer de Frida Kahlo? Fica faltando palavras quando a gente pensa nela. Só dá pra pensar nos sentimentos que ela nos causa com sua arte. Frida foi única. Alias,  pode-se citar muitos pintores latinos, mas entre as mulheres, o nome dela é único. Uma arte chocante e ao mesmo tempo, tão frágil e bela. A gente fica pensando, como pode ter tanta beleza as dores? Como pode ser tão belo o sofrimento?
Frida é destaque na Revista Vogue em 1938. Muito poderosa né?
Nascida em Coyoacán, uma pequena cidade nos arredores da Cidade do México, em 1907, Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón era a terceira de quatro irmãs. Seu pai tinha a pintura como passatempo. Aos 6 anos contrai poliomielite, o que deixou a perna direita mais fina que a esquerda. Recebeu o apelido de 'Frida perna de pau' e passou a usar calças e longas saias pra disfarçar. Gostava de praticar esportes, como o boxe. Era do signo de câncer. 
Frida não era aparentemente bela. Mas era linda. Dizem que a beleza interior é assunto clichê, mas a verdade é que Frida não precisava dela. Sua beleza emanava da sua personalidade forte, da sua força e até mesmo do seu sofrimento.

Aliás, dor e sofrimento foram algo que ela sentiu intensamente, não porque era uma artista revoltada sem causa (como muitos aí) mas porque de fato, ela viu o rosto da morte bem cedo. Aos 18 anos de idade,  sofreu um grave acidente, ao voltar da escola com um namorado, em um bonde que se chocou com um trem.
Um pedaço de ferro atingiu suas costas, atravessou a pélvis e saiu pela vagina, causando uma grave hemorragia e deixando Frida vários meses no hospital, entre a vida e a morte.
Teve de operar cerca de 35 vezes reconstruindo diversas partes do seu corpo. Teve de usar permanentemente coletes ortopédicos, e nunca conseguiu chegar ao fim de uma gestação. Frida sentia dores terríveis, que a acompanharam para o resto da vida. Nunca conseguiu recuperar-se totalmente.
Foi durante sua convalescença que começou a pintar, usando as tintas do pai e um cavalete adaptado à cama. Passava meses, deitada nela, com o corpo todo engessado, tendo apenas os braços livres. Talvez seja por isso que a maior parte de seus trabalhos eram quase todos auto-retratos. Frida não tinha muitas pessoas pra conversar e como sentia muitas dores, era obrigada a voltar sua total atenção para si mesma, para seu corpo, seu rosto e sua alma.
Acho que Frida iniciou a tradição de pintar e decorar gessos, porque dizem que o seu era todo desenhado, com borboletas e cores fortes. Ela o pintava com o auxílio de um espelho.
"Pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”, disse ela. Com um cavalete adaptado ela pintou seu primeiro autorretrato, “Autorretrato com vestido de veludo”, de 1926, dedicado ao noivo Alejandro Arias que teria a abandonado, antes mesmo que ela conseguisse se levantar da cama novamente.
Após a operação frustrada que resultou em diversas complicações para a sua saúde e a qual se referiu como o princípio do fim, Frida se representou de duas formas antagônicas em “Árvore da esperança”: de um lado, após a cirurgia, a artista aparece com cicatrizes e feridas na coluna que parecem se refletir no solo quebradiço pela seca. O sol, segundo a mitologia asteca, se alimenta do sangue humano de sacrifícios, por essa razão ele ilumina o lado esquerdo da tela. Na outra metade Frida aparece com suas vestes tradicionais poderosa e cheia de confiança. Ela segura uma bandeira com o escrito de motivação "mantenha-se firme" e em outra mão o colete que utilizava em razão das fraturas na coluna.  O fato de não representar-se vestindo colete demonstra o desejo de abandoná-lo, de um dia já não precisar usá-lo. A lua, símbolo da feminilidade, está presente nesse mesmo lado do quadro.


Mas a vida de Frida não se resumiu apenas as dores do acidente. Ela viveu um relacionamento intenso com o famoso artista Mexicano Diego Rivera. É provável que Diego seja o homem mais feio que você já viu, mas duvido que você tenha conhecido um homem mais amado e admirado pelas mulheres. A história de Frida Kahlo e Diego Rivera começou quando ela foi lhe mostrar seus desenhos para saber sua opinião sobre o seu talento e se deveria prosseguir com a pintura como atividade profissional. Diego era um pintor mexicano de renome, a quem Frida já admirava desde que o vira pintando afrescos na Escola Preparatória, onde havia estudado. Iniciou-se o romance que culminou com o casamento, ocorrido em agosto de 1929. Frida tinha então 22 anos e Diego era 21 anos mais velho que ela. Ele já havia sido casado várias vezes e tinha três filhas, além de inúmeros casos com mulheres.
Rivera foi casado quatro vezes ao longo de sua vida. A sua primeira esposa foi a pintora russa Angellina Belwoff. Com ela, Diego teve um menino. Após anos de casados Diego entra em depressão ao ficar viúvo. Casou em seguida com Guadalupe Marín, de quem teve duas filhas. Além da terceira esposa , a famosa Frida, casou, depois da morte desta com Emma Hurtado.
Diogo Rivera e Frida Kahlo
Diego ficou com Frida até ela morrer, mas vivia com casos com outras mulheres. Frida sofria horrores com isso. Entrava em depressão, era constantemente ameaçada pelas amantes de Rivera que queriam a todo custo tornarem sua esposa. Cogita-se inclusive, que Frida, já muito doente em seu leito de morte, tenha sido envenenada por umas das amantes de Diego. Outra hipótese é que ela tenha provocado a própria morte, consumindo vários remédios. Frida tentou suicídio várias vezes durante o casamento com Rivera.


Apesar dos problemas, o casal era muito companheiro e parece notável o carinho e o amor que Diego possuía por Frida. Mesmo após perder o pé direito por causa de uma necrose e ficar praticamente aleijada em uma cadeira de rodas, Rivera pediu Frida em casamento pela segunda vez, após terem se divorciado e passado grande tempo separados. Mas apesar do companheirismo,  Diego era estupidamente infiel. Chegou inclusive a manter um caso com a própria irmã de Frida, Cristina. Chegou a ter 6 filhos com ela. Nunca teve filhos com Frida, que devido ao acidente, sempre sofria abortos espontâneos e não conseguia ter filhos. Rivera, por sua parte, parecia confirmar o que escreveu posteriormente em sua autobiografia: “Quanto mais eu amava uma mulher, mais eu queria machucá-la. Frida era a mais óbvia vítima desse traço repugnante” (Herrera, 2002a).



Vai entender né? Foi depois da descoberta dessa traição de seu amado com a própria irmã, que Frida se separou de Diego Rivera.  Após o divórcio de Diego, Frida pintou “Auto retrato com cabelo curto”, de 1948. Segurando uma tesoura, a artista representou-se com o cabelo curto, recém cortado por ela mesma em uma atitude de revolta contra Diego que tanto admirava seu cabelo comprido. A letra de uma canção na parte superior da tela diz: "se te quis, foi pelo teu cabelo, agora que estas sem ele, já não te quero mais". Soltos pelo chão, os fios de cabelo aparentam ter vida própria. A renúncia à figura feminina é visível não apenas pelo comprimento do cabelo, mas também pelos trajes masculinos que a artista veste, provavelmente, pelo tamanho, pertencentes a Diego. Frida costumava vestir-se com roupas coloridas e, para esconder a consequência de uma poliomielite sofrida aos seis anos de idade, usava saias longas como as das índias mexicanas.   Os brincos são os únicos atributos femininos, o que poderia simbolizar o desejo de independência de um homem. Apesar da imensa dor, os dois voltam a se casar posteriormente.


Bom, a história de Frida e de Diego Rivera é intensa e cheia de detalhes. Todos os quadros da artista tem um motivo e um contexto de tudo que ela viveu. Impossível eu relatar tudo aqui. Mas pra quem gosta de arte, eu sugiro o estudo das obras de Frida, porque é tudo muito sincero, simples, autêntico e íntimo. Quem tiver interesse não vai ter dificuldades em encontrar material de primeira e estudos críticos sobre essa talentosa pintora. E não se esqueçam do filme, que é realmente lindo. Eu estou apaixonada pela trilha sonora selecionada para representar as emoções, sentimentos e acontecimentos que ocorreram na vida de Frida. As músicas do Tromba dessa semana contém apenas as canções que eu mais amei, do filme. A fotografia também ficou perfeita. Tudo lindo!

O filme completo é facilmente acessível no youtube. Neste link, está o filme legendado, mas também está disponível o dublado, mas não tive tempo de procurar. Recomendo o dublado porque o filme é cheio de pequenos detalhes visuais. 
http://www.youtube.com/watch?v=30xSM_mEo6k
na saliva 
no papel 
no eclipse 
em todas as linhas 
em todas as cores 
em todos os jarros 
em meu peito 
fora. dentro. 
no tinteiro − nas dificuldades de escrever 
no assombro de meus olhos. nas últimas 
linhas do Sol (o Sol não tem nenhuma linha) em 
tudo. dizer “em tudo” é idiota e magnífico 
DIEGO em minha urina DIEGO em minha boca − em meu 
coração e minha loucura. em meu sono − no 
papel mata-borrão – na ponta da caneta 
nos lápis − nas paisagens − na 
comida − no metal − na imaginação. 
nas doenças – nas vitrines − 
em suas lapelas − em seus olhos − em sua boca. 
em sua mentira.
(Frida Kahlo)
 Estou completamente só. Antes, costumava passar os dias chorando, de raiva de mim mesma e de dor: agora, nem consigo mais chorar, pois percebi que era estúpido e inútil... Nunca achei que ele fosse tudo para mim, e que, separada dele, eu fosse um monte de lixo. Eu julgava estar ajudando-o a viver, tanto que me era possível, e que eu era capaz de resolver sozinha qualquer situação da minha vida, sem nenhum tipo de complicação. Mas agora percebo que não tenho nada além de qualquer outra moça, decepcionada por ser abandonada por seu homem. Não valho nada; não sei fazer nada; não consigo estar sozinha. (Frida Ka)

(..) só representam flertes, e no fundo você e eu nos amamos ternamente, e apesar das aventuras sem fim, batidas de portas, xingamentos, insultos, reclamações internacionais – ainda assim sempre continuaremos nos amando... Todas essas coisas se repetiram ao longo dos sete anos em que vivemos juntos e todas as raivas que eu senti me fizeram compreender no fim que eu te amo mais que minha própria pele, e que você pode não me amar da mesma forma, mas você me ama um tanto. Não é assim? Eu sempre esperarei que isso continue, e com isso estou contente. (Frida Kahlo)
Frida Kahlo posando para Diego Rivera

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