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O esquecimento

Há muitas formas de se esquecer alguém, ainda que estando ao lado, ainda que dizendo seu nome todo dia, o tempo todo. 
Pra sentir menos deprimida, tentei me lembrar de uma garota que foi mais esquecida, mas a surpresa é que eu não sei. Quando criança, eu lembro, me lembro bem, de deitar no chão da entrada de casa, colocar a cabeça aos pés da porta e ficar olhando o céu. Eu acredita realmente, que tudo seria especial e que um dia, eu deixaria de ser esquecida. 
Pra ser menos deprimida, tentei me lembrar de alguém mais iludida que eu, mas pra minha tristeza, ninguém me ocorreu.

Há mutas formas de se ser esquecida. Principalmente, quando você não tem nada de especial. Uma criança feia, é apenas uma criança feia. Assim, como as crianças pobres, sujas no chão. 
Mas aprendemos a esquecer também. Acabamos por ser todos iguais. Inicia-se uma cadeia, de indiferença, exigências infundadas para que não esqueçamos alguém. E como ninguém consegui cumprir nossas exigências impossíveis, esquecemos pro nosso próprio bem. É uma maneira muito mesquinha de se viver, mas dizem, é a mais conveniente. 

E eu que fiquei sozinha nesse lugar, a profanar inúmeras cartas de amor, várias demonstração de carinho, sem nenhuma resposta. Imensamente sozinha aqui. Porque seria uma demonstração pública e banal, qualquer resposta. Seria muito comprometedor. E o que é o amor, perante a tamanha demonstração? Nada. Porque neste ponto, o amor é pouco conveniente. Melhor ignorar, passar por cima, esquecer também.
De certa forma, entendo porque antigamente, lamentavam tanto o nascimento de uma mulher. Nossos atributos acabam bem depressa e são rapidamente esquecidos. E pra sentir menos deprimida, tentei lembrar de alguma mulher com menos atributos que eu. Pra sua surpresa, eu pensei em várias, mas de qualquer forma, qualquer estranha seria mais bem recepcionada que eu. 

Sigo tentando cumprir as exigências dos meus amigos, da família, dos que eu amo, a fim de não ser esquecida. Por pouco, não fracasso, dia a dia. Mas a medida que eu vou caminhando, os dias passando, as exigências pesam mais que chumbo e o medo me devora. Eu sei que não demorará muito para que eu não consiga e seja pra sempre esquecida. 
Pra ficar menos deprimida, tentei pensar em um final irônico, ou em algumas das minhas piadinhas infantis, mas elas também escaparam de mim. A verdade, é que eu acho que as esqueci. Acabo de pensar que hoje eu não deveria ter escrito. Porque estou realmente triste.

4 comentários:

  1. Gostaria de ser afortunado no quesito, esquecimento. :(
    Sempre que posso, passo algumas bons momentos de saboreando e viajando em suas palavras, onde as quais algumas tem um traço de minha vivência...

    Gostei e sempre gosto. ^_^

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    1. Kato, querido! Que bom saber que você vem visitar o tromba. Um beijo pra você! E não me esqueça não! :)

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  2. Eu me esqueço e frequentemente se esquecem de mim, mas não é um modo muito ruim de viver, afinal de contas :)

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    1. Verdade Marina...não é tão ruim assim. :)

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