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Uma tagarela chamada Anne Frank


Estou lendo o Diário de Ane Frank e oportunamente, irei comentar sobre o livro aqui no blog e elaborar uma bela resenha. Mas mal iniciei a leitura do livro e já não posso me conter. Há tantos trechos interessantes que me contorço de tanta admiração por essa criança. Esse trecho me encantou imensamente e queria mostrá-lo aqui no blog. Me chamou a atenção como o professor administrou a situação e principalmente, o psiquê de Anne, ao elaborar e persuadir seus argumentos. E pensar que hoje, os adultos mal conseguem elaborar uma redação de 10 linhas. Olha só que Anne fez: 

Dou-me bem com todos os meus professores, nove ao todo, sete homens e duas mulheres. O sr. Keptor, o velho professor de matemática, ficou aborrecido comigo um bocado de tempo, por eu falar demais. Tive de fazer uma redação cujo título era "A Tagarela". Imagine, a tagarela! O que é que eu podia escrever? De qualquer forma, anotei em minha agenda e tratei de ficar bem quieta.

Naquela noite, ao terminar meus deveres de casa, meu olhar caiu sobre o tal título escrito na agenda. Fiquei pensando, enquanto mordiscava o cabo da caneta-tinteiro, que qualquer um pode rabiscar algumas tolices, com letra bem grande e espaçada, mas a dificuldade era provar, acima de tudo, a necessidade que se tem de falar. Pensei e pensei, e então, subitamente, tive uma ideia. Ao terminar as três páginas pedidas, dei-me por satisfeita. Meu argumento foi o de que falar muito é uma característica tipicamente feminina e que eu faria o possível para controlar-me, mas jamais ficaria completamente curada. Visto que minha mãe falava ainda mais do que eu, como podia eu lutar contra as leis da hereditariedade? O sr. Keptor acabou rindo dos meus argumentos, mas como eu continuasse a falar, passou-me um novo trabalho. Desta vez, o título era "A Incurável Tagarela". Entreguei a redação, e o sr. Keptor não teve queixas durante uma ou duas aulas. Mas na terceira, porém,irritado, não se conteve: - Como castigo, por falar demais, Anne vai fazer uma composição intitulada "Quac, quac, quac, fala dona Pata - A turma toda caiu na gargalhada e eu também ri, se bem que minhas invencionices, nesse assunto, já estivessem esgotadas. Precisava pensar numa coisa nova e original. Por sorte, minha amiga Sanne tem jeito para escrever poesia e se ofereceu para me ajudar, fazendo toda a composição em verso. Pulei de alegria. Keptor quisera fazer-me de tola com aquele tema ridículo, mas eu ia fazer o feitiço virar contra o feiticeiro e fazer com que toda a turma risse dele. Terminamos o poema, e ele ficou perfeito. Era a história de uma pata-mãe e de um cisne-pai que tiveram três patinhos. Os patinhos acabaram sendo mortos a bicadas pelo pai por grasnarem demais. Felizmente Keptor entendeu a brincadeira, leu o poema em voz alta, com comentários, para a turma toda e para várias outras turmas.
Desde então, eu falo e não recebo dever adicional. Keptor chega mesmo a gracejar a meu respeito.

Sua Anne

Não é atoa que o Diário de Anne foi motivo de dúvidas e especulações por muito tempo. Quando o pai de Anne resolveu publicar o Diário, muitos estudiosos disseram que o Diário teria sido escrito por ele, na verdade e não por uma criança de 13 anos. As dúvidas surgem porque a escrita de Anne é fascinante e muito atraente. Perícias técnicas vieram a comprovar que o Diário foi feito por Anne Frank e todos os que duvidaram dele, tiveram que responder legalmente. 

 Anne recebeu uma educação invejável: os pais estimulavam a leitura desde que ela e sua irmã Margot eram bem pequenininhas. Ainda crianças, já tinham atingido um número de livros lidos que muitos adultos nunca conseguirão  atingir. Ou seja, aos 13 anos, Anne tinha base para escrever como uma verdadeira escritora, mas é claro, com seus ares de criança. 

Na primeira parte do livro, cujo este pequeno trecho foi retirado, Anne ainda está desfrutando de uma vida comum e nem imaginava que teria que se esconder por 2 anos em um anexo, sem poder sair de casa, falar com outras pessoas e visitar seus parentes. Assim, essa primeira parte ainda está repleta das divertidas observações de criança. Mas é claro, isso muda ao longo da história. Com o confinamento, Anne passa a fazer constantes observações sobre o caráter humano e seu comportamento. Talvez pela difícil situação em que se encontrava, onde tinha que viver com adultos todo o tempo em seu esconderijo. Sem poder sair ou se preocupar com coisas de crianças. Nesta fase da história, as conclusões de Anne impressionam ainda mais: 


Trecho do livro O Diário de Ane Frank











Um encanto, não é? Pra mim, não é apenas a história triste de Anne que surpreende, ou seja, não é a forma que ela morreu, tudo que sofreu por ser judia.... Mas o que mais me impressiona foi a educação que ela recebeu, a cultura que as crianças daquela época recebiam. Não é atoa que a Europa é o que é hoje em dia. E o nosso país, deveria seguir estes bons exemplos. 
Aguardem a resenha!! Do jeito que ando lendo esse livro, não demorarei a postá-la!





9 comentários:

  1. Estou louca para ler a sua resenha!
    Quando eu conheci a Anne eu li um dos trechos que ela escreveu e fiquei impressionada,até porque na época eu também escrevia diários que nem chegariam aos pés dos dela!
    Mais eu escrevi uma redação na aula de história quando eu estava na oitava série com base nas frases da Anne e algumas coisas que aconteceram na guerra e para a minha surpresa foi o texto mais falado na escola e os professores pediram cópias,foi aí que eu vi,que eu também poderia escrever algo importante e bem feito como ela.
    Quero muito publicar um livro que já tenho pronto e digo que se não fosse pela Anne eu não teria acreditado no meu talento,porque eu não achava que alguém com pouca idade pudesse escrever tão bem.Eu quero muito ler o diário dela completo também.
    Emily Jacky

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    1. Ahhh Emily, o livro é o encanto. Sabe qual a sensação que a gente tem? É que ela está conosco, ou que estamos no Anexo com ela. É muito íntimo e muito emocionante. Claro que não é uma história que tenha um enredo mirabolante, pois Ane está confinada e não lhe ocorre coisas interessantes durante os anos que ficou escondida. Mas no seu interior acontecem coisas fascinantes e facilmente nos identificamos com os problemas íntimos dela.
      Eu gostaria muito de ler seu livro, Emily. Eu amo escritas de pessoas menores de 19, 20 anos. São sempre mais honestas e sinceras. Assim que publicar, me avisa que certamente falarei aqui no blog! Um forte abraço Emily!

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  2. Acabei de compra-lo
    definitivamente, eu, professora de história
    já deveria ter lido o diario da Ane

    bjs

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    1. Definitivamente, eu, com 30 anos de idade já deveria ter lido. rsrsrs
      Mas antes tarde do que nunca, amiga. Você vai amar!
      Bjos e obrigada pela visita! :)

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  3. Eu sempre tive vontade de conhecer esse livro mas nunca comprei e aqui no seu blog pude ver com alguns trechos que ele é realmente surpreendente mesmo por que Ane é uma criança adorável e pelo que podemos ver muito inteligente. Adorei os trechos que você colocou no blog me deu a oportunidade de conhecer mais essa obra. Beijos.

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    1. O livro é lindo Andrea! Quando tiver oportunidade, leia que não irá se arrepender!

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  4. Li este livro agora em minhas férias do final do ano... simplesmente amei!
    Me encantei, emocionei, chorei, vivi de tudo um pouco. Como você mesma disse, a impressão que temos é de estarmos no Anexo Secreto junto com ela... rs! Anne tinha uma sensibilidade ímpar. É incrível o tamanho da sua percepção de mundo mesmo sendo tão jovem. Acompanhar suas transformações ao longo do livro também é muito encantador e chocante, ao mesmo tempo. Ao terminar, li "O outro lado do diário de Anne Frank", de Miep Gies (a amiga da família Frank). Este não tem a singeleza do que vemos no de Anne, mas a título de informações sobre o período e o que acontecia fora do Anexo é muito interessante também.

    P.S.: O Tromba continua lindo, lindo!!
    Saudades de estar por aqui!!

    Beijão, querida!!

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    1. Rs' Depois de tanto tempo, estou retornando aos poucos... ;)
      Beijos!!

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