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Eu esqueço

Quem me vê assim tão atenciosa com certas pessoas ou com algumas coisas, sempre se choca quando eu me demonstro indiferente. Podem achar que estou indiferente por estar magoada, com raiva ou ressentida. De todo meu coração, e digo isso não por orgulho, mas eu simplesmente não guardo mágoa de ninguém, pelo menos, não das pessoas que eu não goste. Isso mesmo. Só os que eu amo são capazes de me fazer realmente sentir raiva, mágoa, amor, saudades. Quanto aos demais, eu não sinto nada, absolutamente nada. Não faço isso por orgulho, de maneira nenhuma. Quem bem me conhece, sabe que uma das coisas que eu mais preciso, desesperadamente, era ter um pouco mais de orgulho próprio. Eu sou a amiga que pede desculpas, mesmo estando magoada, sou a namorada que se arrasta no chão e que grita: não se vá! Eu sou do tipo que pede perdão, sem avaliar se estou certa ou se estou errada. Do tipo que mesmo imensamente ferida, se rende com um sorriso. 

Mas quando eu esqueço, quando uma pessoa vira passado, ela definitivamente vira passado pra mim. Talvez nem passado. As vezes eu encontro com ex namorados e não obstante, me sinto desconcertada quando chega o momento das recordações: Você lembra daquela vez que nós....E quando encontramos com....E teve aquela vez que.... E é engraçado, pois  não tenho mágoa nenhuma com nenhum ex namorado meu. Todos foram muito gentis comigo e muito companheiros. Mas eu simplesmente me esqueci de absolutamente tudo que vivi com eles. Por isso, eu não tenho amor de infância, nem aquele amor de passado.

Sempre que tenho reunião de família, sinto-me surpresa quando minha irmã começa a contar sobre nossas antigas brincadeiras, nossas brigas de irmãs ou nossas aventuras. Ela me contou uma coisa muito bacana uma vez. Ela me disse: Irmã, lembra como você era criativa pra inventar brincadeiras?Uma vez você entreteve eu e minhas amigas com uma tal brincadeira de achar o tesouro escondido. Para achar o tesouro a gente ia seguindo pistas que você distribuía em toda casa. Em cada dica, tinha uma pista de onde estava escondida a próxima dica. E íamos pelos cantos da casa, vasculhando cada móvel e objeto, lendo as dicas e adivinhando onde elas estavam escondidas até acharmos o tesouro. Você colocava dicas até no teto! 
Achei linda a recordação dela, fiquei feliz, mas não me lembrava de nada disso. Em outras brincadeiras que ela narrou, tive que fazer um esforço muito grande pra encontrar uma imagem ou uma recordação em minhas memórias.

As pessoas das quais eu amo me tomam quase todo o espaço no meu coração. Quase não sobra espaço para o passado, ou para pessoas das quais eu não amo. Eu não perco meu tempo com estas. Não preciso colecionar imagens de santos protetores de inimigos, porque aquilo do qual eu não considero, não pode me atingir. E ainda que puder, terei que contar com a sorte ou com os anjos, porque desconheço meus inimigos, eles não existem pra mim.

Eu só me irrito com os que eu amo. Só fico magoada com as pessoas que eu gostaria que me quisessem bem. Aos outros, aqueles que já não participam da minha vida, que se foram ou que nada acrescentam no meu coração, não há nada para estes.

Talvez por isso, eu me recuso a esquecer muita gente. Teimo em amá-las incansavelmente, ainda que na distância.. Eu penso no quanto será triste o momento em que elas desaparecerão pra sempre da minha vida. E que não sobrará nenhum sentimento no meu coração por elas, nem mesmo o ódio. Sei que não haverá nada que elas possam fazer pra mudar isso. No futuro, elas se aproximarão de mim e me dirão: Você lembra quando..... E profundamente triste, terei que sorrir mentindo, ou me calar ocultando o fato de que eu não me lembro de nada.

E não há nada que me irrite mais que uma pessoa apagada, tentando escrever algo nesse vazio. Teimando em arrancar de mim alguma recordação, alguma lembrança ou me jogando na cara alguma mágoa ressentida. Acho isso ultrajante!
E eles dizem, você mudou Sabrina, está diferente. Está mais isso, mais aquilo. Sempre que eu ouço alguém dizendo que eu mudei, quase sempre sei, que estas pessoas desapareceram pra mim. Porque eu não mudei, mas somente a forma de tratá-las é que mudou. A minha visão delas é que mudou, porque pra mim, elas são indiferentes. Então elas pensam que eu mudei, mas eu sou a mesma. Elas é que não me enxergavam direito antes.







7 comentários:

  1. Queria ser assim Sabrina ! Na verdade acho que sou um pouco, em relação a esquecer quem não me interessa mais e seguir em frente, mas as vezes me acho um bauzinho cheio de lembranças, rancores, essas coisas que só fazem você perder espaço para o que realmente importa.

    E o importante é que você está resolvida com isso, e te faz bem. Esqueça mesmo.
    Eu vou começar a praticar para ver se fico mais leve. hahahaha

    Beijos

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    1. Quanto menos bagagem, mais leve fica a vida! :)
      Obrigada pela visita e pelo lindo comentário, Aline!
      Volte sempre!
      Beijos!

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  2. Moça escreve um livro, teamoadoro sua linda <3
    Acho que somos do mesmo planeta rsrs.. muito eu tmb tudo que escrevestes ^^

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    1. kkkkkkkkkkkkkkkk seu lindo! Você que é um gentleman!
      Beijos Gilvan!

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    2. E vc uma lady <3 Bjos.. sua linda!! rsrs...

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  3. Me identifiquei com o texto. Tenho muito facilidade pra ficar magoada com gente que eu gosto (e me irritar com elas), mas isso nunca acontece com gente que eu não gosto. É como você disse, não tem espaço no meu coração pra elas, na verdade, até pra não gostar da pessoa não tem espaço, sou indiferente as essas pessoas. Ou gosto, ou não sinto nada. Eu tenho medo de parar de gostar de alguém, porque sei que aquela pessoa vai cair no esquecimento, e isso é muito triste.
    A vida é muito mais leve quando a gente é desse jeito né? :)

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    1. Isso mesmo. Levar muita bagagem só prejudica a coluna. Melhor levar conosco apenas o necessário. :)

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