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Como escolher uma Profissão?



Quando eu tinha 10 anos, achei um livro de capa dura azul, muito bonito, de folhas antigas e amareladas. Ele estava no local onde minha família e os vizinhos usavam para dispensar o lixo. Sim, eu retirei o livro da lixeira. Achei um vacilo alguém ter jogado um livro tão bonito no lixo. Mal podia acreditar na minha sorte. Corri pra casa, pra me trancar no quarto e começar a ler. Quando eu abri o livro, lembro que eu não sabia o significado de quase tudo que eu lia. Era como ler em outra língua, só que no meu idioma. Mostrei minha mãe, ela me disse que aquilo era a Constituição Federal e que nossa vizinha, que era advogada, tinha jogado fora porque aquela edição já estava desatualizada. Não entendi bem o "desatualizada". Não achei que isso fosse motivo pra se jogar um livro tão bonito no lixo. Afinal, ela poderia guardar como relíquia, uma antiguidade. "Talvez ela também não entenda o que esteja escrito", conclui.


Tudo que eu queria era poder compreender as palavras. Passei a perseguir minha mãe, completamente ávida por informações que pudessem decifrar aquele enigma. Ah, a ansiedade de ler, de entender o que está escrito. Isso eu sentia muito bem. Não demorou muito pra minha mãe ficar irritada. Então certo dia, quando ela voltou do trabalho, me entregou um lindo dicionário: "Toma, e não me encha mais com essas perguntas". Mas compreendi que não bastava apenas saber o significado de cada palavra. Eu continuava sem saber ao certo o que a Constituição Federal estava dizendo. Fechei o livro vencida:  "Mas um dia, eu vou entender o que você está dizendo"

Não foi aqui que eu decidi seguir a carreira de Advogada. Mas muito anos depois. 

Não tive pressa. Apesar de desconfiar (no fundo já saber desde a infância) só tive peito pra decidir minha profissão aos 22 anos de idade. Só depois disso ingressei na faculdade. Ou seja, passou-se um grande período entre o ensino médio e a faculdade.

E posso até parecer tardia, mas hoje penso que foi melhor assim. Pior seria se eu tivesse escolhido a carreira errada: teria perdido meu tempo e muito dinheiro na faculdade. 
Mas conheço inúmeras pessoas que passaram dos 30 e estão aí a deriva, sem saber qual é a sua vocação. Eu conheço gente que diz até não ter vocação nenhuma. Acho triste. Porque todo mundo (ou pelo menos a maioria) precisa trabalhar. E como ainda não inventaram trabalho que não seja ruim, o ideal é que a gente trabalhe na área que temos afinidade. 

É de suma importância amar o que se faz, senão, não dá pra ser feliz. Passamos mais tempo no trabalho do que na nossa própria casa. Então, impera a teoria de Confúcio: "escolha um trabalho que goste e não precisará trabalhar um único dia de sua vida". Sem contar que ter uma profissão no nosso país é tarefa difícil. É difícil começar, ingressar no mercado de trabalho, ser reconhecido...tudo é pesado e extremamente difícil. Então melhor lutar por aquilo que amamos.

 É uma decisão muito importante e não cabe enganos, pois uma má escolha pode acarretar no fracasso da vida acadêmica, levando o aluno a abandonar o curso, trazendo prejuízos financeiros e sentimentos de fracasso. Ou pior, a pessoa pode se formar em uma profissão que nunca irá exercer, ou exercer com má vontade. Então, pra quê ter pressa? 

Pense nas coisas que faz vibrar o seu coração, acho que isso é o mais importante. Não pense se a matéria escolhida está defasada no mercado, ou que ela não trás dinheiro. 
Quando eu dizia que ia ser advogada, todos me diziam a mesma coisa: "Mas advocacia não dá mais dinheiro no nosso pais" "Mas Direito já está saturado, já tem muita gente no mercado". Sim, era tudo verdade! Mas eu não podia considerar isso na escolha da minha profissão. Direito era o que fazia meu coração vibrar. Eu era a aluna que defendia os meninos levados perante a diretoria e por isso era nomeada sempre a representante de classe. Eu era aquela que odiava ver injustiças e adorava retrucar teorias, principalmente das pessoas mais velhas e dos professores. Se eu não estudasse Direito, eu não faria faculdade, não perderia meu tempo. 

Que advogar é uma profissão difícil, isso não tenho dúvida. Que a profissão é extremamente desvalorizada no nosso país, disso todo mundo sabe. Que eu tenho um longo caminho até atingir um mínimo de reconhecimento e dignidade, ninguém discute. Mas eu estou curtindo, estou gostando. É uma doce aventura. Cresço devagar, meio que tropeçando, mas seguindo com entusiasmo e muita esperança. Então é fácil lutar. 

Sempre que eu vejo um jovem ingressando na faculdade, eu pergunto: porque você escolheu esse curso? E é quase sempre as mesmas respostas: porque meus pais me disseram que é uma excelente profissão e eu não sabia o que fazer. Porque hoje é o que o mercado de trabalho precisa e eu não sabia o que fazer. Porque o salário é alto e eu não sabia o que fazer. Não me surpreende o fato das aulas na faculdade começarem com 50 alunos presentes e terminarem com 20 alunos sobreviventes. Por isso vai aqui 2 dicas super bacanas que talvez possa te ajudar a definir a sua profissão:

Lembre do que você brincava na Infância:


Isso eu li em algum dos livros de Paulo Coelho. Mas li faz tanto tempo que já não sei exatamente em qual deles, já que eu devo ter lido praticamente todos os livros do autor na adolescência (não tenho vergonha de admitir). 

Paulo Coelho acredita que a única época que temos capacidade de escolher a profissão sem erro, é na infância. De acordo com o autor, as crianças escolhem a profissão quando brincam de exercê-la com seus colegas. E só nessa época estamos expressando de forma pura e sincera a nossa vocação. 

Ele afirma que isso ocorre porque depois de adultos, passamos a considerar fatores artificiais, pois voltamos nossa atenção às profissões que trazem status e poder, sem nos importarmos se elas são nossa vocação. Outro fator é que os adultos passam a induzir as crianças a abonarem suas vocações quando percebem que a profissão não lhes trará poder, segurança ou estabilidade. Um exemplo é quando a criança tem vocação para dança, pintura ou quer ser professor. 

Teste Vocacional Online


Pra quem ainda não decidiu, um teste vocacional pode dar uma mãozinha. Hoje, por acaso, eu encontrei um bem bacana, no site Veja.abril. Fiz o teste de brincadeira e meio achando que ele iria indicar uma profissão que não tinha nada a ver comigo. Mas não é que minha profissão foi o primeiro item da lista no resultado do teste? Fiquei super contente!

Eu jamais escolheria uma profissão baseando em um teste vocacional. Mas é bom ver que o teste está condizente com aquilo que eu escolhi. O fato é que o teste deu certo! E por isso, eu recomendo para aqueles que já sabem mais ou menos o que querem ou que estejam em dúvida entre duas ou mais profissões.

Para acessar o teste basta clicar aqui. Mas preste bastante atenção nas regras do teste, que trás uma questão com 4 alternativas. Você deve avaliar cada alternativa informando a nota de 4,2,1,0. 


Dê a nota mais alta às alternativas que mais tem a ver com a sua personalidade e as notas mais baixa, às alternativas que menos condizem com seu jeito de ser. Não se pode marcar a mesma nota em mais de uma alternativa. Se você fizer isso, o teste até prossegue, mas no final, ele não concluirá a avaliação. 

De qualquer forma, a saída é não ter pressa. Converse com seus pais a respeito, mantendo sempre uma posição firme quanto a sua decisão. E se não tiver pronto pra escolher assim que formar do ensino médio, seja sincero com eles. Explique que precisa de um tempo pra decidir, que não quer cometer erros. Apresente um plano para o período que pretende ficar fora dos estudos e como buscará a resposta para tomar a grande decisão. Planeje visitas à empresas, entrevistas com familiares já formados, vizinhos.....Enfim, apresente os pros e os contras para seus pais. O desespero dos pais não é ver um filho recuando ou em dúvida, é ver um filho que não sabe decidir, resolver as entraves,  ou planejar a própria vida. 

Não esqueça de me contar a sua vocação! :) 

Um beijo e um Queijo! 





2 comentários:

  1. Oi Sabrina! Há quanto tempo!

    Adorei o modo como você descobriu o direito! Uma boa história para contar para os filhos o/

    Eu estou fazendo psicologia, e acho que quando era criança não conhecia a profissão, mas foi só "descobri-la" que já me apaixonei. Meus pais foram contra, disseram que não dava emprego, dinheiro, e etc. mas fiquei quietinha e fiz o vestibular, passei e agora eles estão me apoiando na minha decisão! A cada dia que passa fico mais segura de que é isso que eu quero, ser psicóloga. Acho que não existe nada melhor do que fazer algo que gosta, até aprender fica mais fácil!

    Sobre esse teste vocacional, fiz ele uma vez e deu médica, enfermeira e essas outras areas da saúde. Gosto disso, mas não é isso que eu quero. Óbvio que não dá pra basear uma decisão tão importante em um teste online, mas já ajuda a ter uma base, você entende um pouco melhor seu perfil e isso te ajuda a procurar areas relacionadas a ele.

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    1. Concordo Marina! Ele auxilia muito na hora de traçar nosso perfil profissional, por isso achei muito interessante.
      Acho psicologia fascinante! No entanto, acho que seu teste deu certo também. Pra mim, um psicólogo é um médico e sempre será..rsrsrs

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