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Agir certo é sempre sofrer mais

Quem faz o certo sofre sempre mais. Essa é uma lamentável conclusão que cheguei aos 30. Nem digo certo no sentido ético, filosófico, mas coisas básicas. Sempre que você escolher ou optar agir pelo certo, vai sofrer mais. Os displicentes são sempre mais felizes, são extremamente calmos, porque não empregam esforço. Não se importam.

Por exemplo, o aluno que não estuda. Ele nunca faz o dever de casa. Lembre-se dele, sempre há um desses em toda a turma. Ele aproxima da professora sempre com a mesma camaradagem, calmo e sarcástico: E aí, professora? Será que dá pra repetir aquele trabalho? Ele não tem nada a perder. Ele não fez o trabalho. Já o aluno que fez o trabalho, está apreensivo, está nervoso. Ele preocupa-se com a nota, preocupa-se com aquele que não fez o dever e sabe que a professora vai dar mais uma chance e acha um absurdo que um aluno que entrega o exercício bem depois, possuindo mais tempo, tenha a mesma nota que a sua, as vezes até melhor. 

Pense nas pessoas que como eu, não suportam deixar os outros esperando e que preferem a morte a ter que chegar em um compromisso atrasado. Essas pessoas estão sempre angustiadas e estressadas, porque precisam despender muito esforço, pra chegar no horário. Agora pense naqueles que estão "se fudendo" se você está a esperar um ano por sua chegada. Eles estão calmos, porque eles não importam se você chegou no horário, eles não importam com os outros. Para essas pessoas, o importante é nunca esperar. Por isso elas deixam todos esperando, porque pressupõem que todos agem mal como elas: fulano deve atrasar alguns minutos, preciso chegar bem depois. Essas pessoas colocam seu tempo como prioridade. E não se importam com o tempo dos outros. 

Aquele que trabalha muito e sabe muito sobre o serviço, também sofre mais. Ele não entendi porque o outro não consegue executar as atividades dentro do tempo, porque o outro faz tudo mal feito ou inacabado. Aquele que trabalha bem quer se matar quando vê o outro levando seu trabalho na maciota, enganando a todos, fingindo que trabalha. 

Aquele que trai com habitualidade nunca vai ser ciumento. Pode ser muito desconfiado, mas nunca ciumento. E desconfia porque age desse jeito e subentende que todos também são assim. Pessoas infiéis não se preocupam se o outro está insatisfeito. Não se preocupam se o companheiro está querendo outra pessoa pra cair fora do relacionamento. Porque os infiéis são muito seguros de si. Como ostentam vários relacionamentos, se sentem poderosas e desejáveis. Já os fieis estão sempre cobertos de ciúmes e de medo. 

Quem trabalha muito está sempre angustiado e aquele que trabalha pouco está sempre com suas energias asseguradas. Não se preocupa com mais nada, afinal, se ele não faz nada, estar ali já é lucro. 
Nossa própria cultura nos leva a agir errado. Quando a gente vive em um meio em que agir certo só trás dor de cabeça e raiva, passa-se a aprender a agir como o outro. Amanhã, aquele que sempre chega no horário saberá que estará sozinho no local. Ele fica calejado. E se torna só mais um brasileiro acostumado a viver no jeitinho, sem pensar no outro. Aquele que é fiel se cansa de ser enganado, se cansa de valorizar algo que ninguém dá o real valor. Passa a ser frio e temos mais um membro sem um pingo de ética, respeito ou humanidade. 

Se você deve continuar a agir certo ou errado, não sei dizer. Particularmente, eu aprendi a não esperar muito dessas pessoas e a nunca confiar nelas. Não espere grandes atos de pessoas que não se importam com os atos pequenos. Talvez por isso nosso povo tenha tanta má fama pelo mundo afora. Pois numa cultura onde ninguém tem compromisso com nada nem com ninguém, não se pode esperar grandes coisas. 


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