2

American Horror Story, Freak Show






O que faz uma pessoa que odeia o carnaval, mas não quer passar esses dias trabalhando ou estudando? Ela assisti tv. Como eu odeio programas de televisão, fui procurar algum filme pra assistir online. De terror ou suspenso é claro, pois são meus preferidos.

Mas minha lista de filmes bons e novos dessa linha está cada vez mais restrita. Já vi tantos filmes desse gênero que não sei mais contar e os últimos não me impressionaram muito. 

Mas por acaso, encontrei o seriado chamado American Horror Story, Freak Show. Por sinal, também odeio seriados. 
Mas especificamente por causa da 4ª temporada, American Horror Story chamou minha atenção. 

Escrita por Tim Minear a temporada estreou no dia 20 de janeiro de 2015 pelo canal FX Brasil. A história se passa em Júpiter, Florida e se centra num dos poucos shows de horrores restantes em 1950 e no que seus donos são capazes de fazer para mantê-los de pé, no conflito entre as aberrações e as "forças do mal" que não conseguem entendê-los.


A ideia do seriado é contar para o telespectador histórias de terror, histórias americanas. Ou seja, o título diz tudo. Todo mundo sabe que as histórias de terror americanas não colocam medo em ninguém. "Lendas urbanas" deixou isso bem claro. Mas achei essa temporada  um pouco mais ampla que meramente historinhas de medo. A 4ª temporada de American Horror Story, a Freak Show,  explora o mundo bizarro do circo no século 20 e muito mais que isso: ela explora todo o lado sombrio, decadente e vergonhoso do ser humano.




As fotos, o figurino, as cores dos panfletos dessa temporada me conquistaram imediatamente. É tão lindo e tão bizarro ao mesmo tempo, como as obras de arte de Ray Caesar, que eu tanto amo. Mostrando as pessoas que eram exploradas para entreter o público naquela época, o seriado não só explorou o sofrimento daqueles que nascem com alguma anomalia. Foi muito mais além.

A série mostra como as pessoas que nasciam com deformidade eram subjugadas e maltratadas. Apesar da história passar no século 20, percebemos que pouca coisa mudou. A sociedade continua vivendo de aparência e jogando pra dentro do boeiro tudo aquilo que não segue suas regras, tudo aquilo que ela julga  não ser correto ou bonito, como as pessoas obesas, os homossexuais, os deficientes físicos, os doentes etc...

Mas com as histórias percebemos algo: as deformidades nem sempre estão tão claras como nas pessoas que nascem com anomalias. Cada ser humano tem dentro de si, algo muito sujo, muito feio, que tenta esconder a todo custo. Dos sentimentos mais simples e comuns como a inveja, a vergonha, o desespero etc até os mais complexos, como a obsessão, o prazer pelo sofrimento e a hipocrisia. Cada um carrega em si sua própria deformidade. 










Alguns a tornam um peso, outros sabem trabalhar bem com ela. Esse foi meu principal ponto de vista sobre a série. Você desliga a tv e se sente um pouco como os personagens deformados da série, mesmo não tendo 2 cabeças, ou barba por todo rosto. Mesmo não tendo 3 seios ou 4 pernas. Você entendi, que de alguma forma, é tão bizarro como os personagens.

Cada personagem é forte e muito intrigante. E escolhi meus favoritos para falar um pouco deles.


Elsa, a dona do Circo

A personagem de Jessica Lange, Elsa, é a administradora de um dos últimos circos de aberrações dos EUA. Essa mulher misteriosa carrega consigo um enorme desejo de popularidade, fama e poder. Tudo que ela quer é ser admirada, glorificada. Elsa representa aqui o nosso lado narcisista. Nosso desejo secreto de ser admirado pelo outro, de sermos uma estrela de cinema, adorada e invejada. O que mais me surpreendeu na história dela é ver como somos escravos dos nossos próprios desejos. Como desgraçamos nossa história insistindo em ser aquilo que não somos. Elsa está longe de ser uma estrela. Ela não tem pernas de verdade, canta muito mal e já está velha demais. Ninguém ao redor acredita nela, mas ela parece não perceber nada disso. Eu vejo Elsa em todos nós. Pro outro lado, Elsa é extremamente inteligente e astuta. É perspicaz e muito sábia. A personagem dela, apesar de desprezível, é estranhamente fascinante.  


As siamesas Bettie e Dot

As irmãs siamesas Bettie e Dot estão sempre sendo procuradas e exploradas por todos. Mesmo em uma condição tão assustadora, elas causam uma certa sedução às pessoas ao seu redor, que estão entediadas demais com as próprias vidas. Isso as tornou a principal atração do circo. As irmãs, são para muitos, portas para inúmeras possibilidades: dinheiro, pesquisa, curiosidade. Dot e Betty por sua vez, possuem personalidades diferentes, mas estão ligadas ao mesmo corpo. Uma é doce, levada e inocente. A outra, é mais centrada, desconfiada e intolerante. Duas almas totalmente diferentes, condenadas a estar sempre juntas. Dot quer ser operada e separada de sua irmã para sempre. Bettie tem medo de se submeter ao procedimento cirúrgico e teme que uma das duas venha a morrer. Juntas, elas correm atrás de suas quimeras, mesmo cada uma  desejando coisas totalmente diferentes da outra. Mas uma vez, o desejo acima de tudo, até mesmo da própria realidade: a operação é praticamente uma quimera, principalmente naquela época. Mas é o único ideal capaz de mantê-las viva. 

Ethel Darling

A personagem Ethel Darling, a mulher barbada, é mãe de um rapaz que também possui uma deformidade, pois nasceu com mãos e pinguim. Eles moram no circo e servem a administradora, Elsa. Essa personagem é mais equilibrada, realista e ponderada. Ethel carrega consigo não só sua anomalia, mas também todo o sofrimento que se submeteu por ser diferente.
Explorada pelo marido, rejeitada pela sociedade, ela vê o circo como o único refúgio para as pessoas como ela. Sua história é repleta de mistérios que vão sendo revelados ao longo da série. Aliás, as histórias dos personagens são todas muito criativas e realmente, muito tocantes.

Dell Toledo

Dell Toledo é, como eu posso dizer, um personagem que mais existe na vida real, por aí. É daqueles caras durões, extremamente rústico, que se autointitula o homem mais forte do mundo. Ele é casado com uma mulher que tem 3 seios e se gaba muito disso. Mas na hora H, Dell tem falhado com a mulher, deixando  a desejar como homem. 
Cria inúmeras desculpas pra justificar sua falta de desejo por sua esposa, mas quase caímos pra trás quando a série mostra esse homem tão másculo inteiramente entregue à um rapaz. Dell tem uma vida secreta e um desejo obscuro do qual não suporta mais esconder e carregar. 



O Palhaço

Esse personagem me lembrou de John Wayne Gacy, um assassino em série americano, conhecido como o "Palhaço Assassino". Acusado de matar pelo menos 29 garotos, foi condenado a 21 prisões perpétuas e 12 penas de morte.
Na série, ele representa o lado severo da maldade. Assassina as pessoas friamente, com tesouras, coloca crianças em cativeiros. 
Sempre desconfiei da saúde mental das pessoas que veneram palhaços. Eu li que John Wayne Gacy pintou inúmeros palhaços durante o tempo que esperou a morte na prisão. Suas "obras" lhe renderem muito dinheiro e hoje em dia são extremamente valiosas. Ele só desenhava palhaços. Somente palhaços. Dá pra entender a humanidade? Apesar do personagem lembrar o serial Killers, sua história por detrás da vontade doentia de matar é bem diferente da história de John Wayne Gacy. É menos óbvia e mais sombria. 

Na verdade, muitos personagens possuem anomalias reais. A encantadora personagem Ma Petite, é na verdade, uma mulher minúscula e delicada. Hoje considerada a mulher mais pequena do mundo. Ela é encantadora. É quase sempre carregada no colo, porque todos a querem abraçar.  



Mais filosófica que Assustadora:


Se você me perguntar se eu senti medo, se a série tem muito terror, vou dizer que não. Vi muita gente comentando que não conseguiu vê-la de noite, de tão medonha. Mas não achei que ela assusta. O medo que ela causa é diferente. É um medo interno. Tipo, você não fica com medo de um monstro aparecer debaixo da cama, mas medo de si mesmo, da humanidade. Um medo mais filosófico, referente a própria vida, a nossa condição humana. Medo do fato assustador: que de certa forma, estamos submetidos ao outro, precisamos do outro, queremos o outro. E nem sempre, o outro tem boas intenções. Nem sempre o outro vai nos ajudar sem pedir nada em troca. E até nós mesmos ficamos assustados com o preço que podemos cobrar. Com o que somos capazes de fazer para conseguir amor, respeito e poder.

Em certas cenas, a série se torna tão intensa que chega a ser insuportável. Você se sente mal, quer desligar, como na parte que um vigarista convence o homem com mãos de pinguim a cortar os próprios punhos para conseguir dinheiro para que um advogado o tire da cadeia, na qual foi julgado a mando desse próprio vigarista, que quer vender suas mãos de pinguim para um museu e conseguir muito dinheiro com elas. É triste, é desumano, é a vida!



Enfim, é uma série que eu recomendo, pra quem gosta de filmes de terror, de suspense, pra quem curte assuntos filosóficos, pra quem estuda psicologia. Vale a pena assistir a série todinha e escolher seu personagem favorito.









2 comentários:

  1. Hey quanto tempo não visito aqui né...fiquei fora da blogosfera e acebei criando outro blog agora usando meu verdadeiro nome (antes eu usava Emily Jacky).Quantas saudades sinto daqui *---*
    Eu comecei a assistir esse seriado por causa da terceira temporada que foi muito bem comentada quando acabou,então fiquei super curiosa e comecei a acompanhar,mas confesso que já faz um tempo que não assisto u.u Estou louca para chegar nessa temporada,depois de tudo que li aqui e em outros blogs parece que está imperdível!
    Choices

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sumidaaaa!!! Pensei em você tempos atrás e me perguntei: o que teria ocorrido.
      Acho que todos da blogsfera estão sumidos mesmo. Parece-me que está ocorrendo uma grande mudança, já que a senseção do momento são os vlogs. Ver vídeo parece bem mais agradável e fácil que ficar logando em blogs pesados, com milhares de letras minúsculas. A bem da verdade, eu mesma ando mais frequente nos canais do youtube do que nos blogs propriamente ditos. Então me pergunto: se eu mesma não tenho paciência, quem terá? Devo eu criar um vlog? Acho que ainda não me tornei tão prepotente. Espero evoluir. Bom ter você por aqui. Atualmente, eu estou assistindo a terceira temporada. Estou gostando muito, sabe? Mas a quarta, ainda é minha preferida! Mas a cada episódio, a terceira temporada fica mais e mais interessante! :)

      Excluir

Atenção: Caso tenha blog, deixe o endereço do link sempre que comentar. Assim, todos os outros leitores curiosos podem visitar sua página.

------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Quando você comenta, me deixa muito feliz! Sua opinião é muito importante.
Tanto que vou até cantar uma canção: Você é lindo (a), mais que demais, você é lindo (a) sim, onda do mar.... (lá, lá, lá, láaaaaaa)

Pin It button on image hover