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A charada da Duquesa, Alice no País das Maravilhas




Em 14 de maio de 2016, eu propus aqui no blog uma charada, retirada do livro Alice no País das Maravilhas. A charada é da Duquesa, personagem pitoresca do livro. 

Deixei meu e-mail, caso algum leitor quisesse participar e depois de quase 2 anos, voilà, nosso querido, Samuel Oliveira, leitor ainda presente nesse blog há muito esquecido, enviou-me carinhosamente sua genial interpretação, a qual, passo a mostrar pra vocês, monamores!



Sobre a Charada: 






Resposta de Samuel Oliveira: 







Olá, Sabrina. Eu sou o Samuel de Oliveira, que costumava frequentar o Google+ (nos tempos em que ainda não era um deserto) e depois comecei a acompanhar seu blog. Gostaria de lhe enviar minha resposta sobre o que entendi da frase da Duquesa, da história da Alice no País das Maravilhas, a qual você disponibilizou nesta postagem. Na verdade, eu havia elaborado a resposta em maio de 2016, mas como tinha a intenção de pensar mais um pouco e tentar melhorar a resposta, acabei me esquecendo de enviar. Mas agora, no início de 2018, encontrei o texto e, após lê-lo novamente, achei meu pensamento coerente. É interessante a sensação que se tem ao ler um texto escrito por si mesmo após tanto tempo. Você se sente como se não fosse o escritor, mas um amigo muito próximo de quem redigiu o texto. Enfim, esta é a resposta que redigi. Espero que faça algum sentido.

Em primeiro lugar, vamos analisar parte por parte, tentando mudar a ordem das palavras e, assim, chegar a um contexto mais simples de entender.

  1. "Nunca se imagine como não sendo outra coisa do que..."  esse trecho pode ser entendido como "Sempre se imagine como sendo exatamente" ou, mais resumidamente, "Sempre seja".
  2. "...aquilo que poderia parecer aos outros..."  há duas possibilidades: parecer ou não parecer.  Ou seja, cria-se uma aparência diante das outras pessoas.
  3. "...aquilo que você foi ou poderia ter sido não fosse outra coisa do que..."  o trecho destacado pode ser entendido como "fosse exatamente"
  4. "...o que você poderia ter sido parecia a eles ser outra coisa."  este trecho diz que as outras pessoas pensavam que você poderia ter sido outra coisa.

Partindo desse ponto, podemos entender o texto assim:

"Sempre seja algo que cria uma aparência de que o que você foi ou poderia ter sido seja algo que fizesse com que eles pensassem que você poderia ter sido outra coisa."

Ainda está difícil de entender, mas clareou um pouco. Minha interpretação é a seguinte: existem dois personagens que surgem mediante uma aparência criada por você. Ambos os personagens são fruto do que as outras pessoas querem que você seja. Se você fosse o primeiro personagem, isso tornaria possível a existência do segundo personagem. Ou seja, para que o segundo personagem exista, o primeiro tem que existir antes.

Nada melhor para compreender algo tão abstrato como exemplos concretos. Então vamos lá: eu posso criar uma aparência de ser uma pessoa comunicativa. Então, a partir dessa aparência, as pessoas ao meu redor pensarão que eu poderia ter sido um jornalista. Ou então, eu poderia demonstrar ter habilidades com esportes, e logo as pessoas pensariam que eu poderia ser um atleta.

Mas é importante salientar que o que eu poderia ter sido ou fui não é necessariamente algo que eu sou. Se eu poderia ter sido médico ou fui um médico, não significa que eu sou um médico hoje.

Finalmente, surge um questionamento: por que precisamos criar essa aparência? Será que é importante criar uma expectativa diante dos outros sobre o que somos capazes de fazer, para assim conseguir oportunidades, já que vivemos em sociedade e, por isso, não podemos nos isolar? Ou será que simplesmente podemos fazer com que as pessoas pensem que sabem o que poderíamos ser, quando na verdade todo esse "achismo" deles nada mais é do que fruto da aparência que criamos, com o objetivo de controlá-los?

O importante é que acima de tudo saibamos que personagem nós somos, independentemente do personagem que escolherem para nós. Como a sociedade sempre quer que assumamos outros papéis, acabamos tendo que criar personagens que a distraiam, para que tenhamos liberdade para atuar no papel que escolhemos.  (Amei essa parte, Samuca!)


Quero agradecer ao Samuca, não só por estar mais aqui do que eu, sempre, mas por esse texto que eu amei ler. E com ele aprendi um outro ponto de vista. Esclarecedor e muito peculiar, achei incrível as observações caprichosas sobre a questão da pretensiosa Duquesa. 
O livro, Alice no Pais das Maravilhas está repleto de charadas. Talvez eu poste mais pra vocês, já que muita gente lê o livro e não localiza nenhuma (hahhaha)
Gostaram da interpretação do Samuca? Eu amei! 

2 comentários:

  1. Fico feliz por você ter gostado, Sabrina! Esse texto é bastante confuso e difícil de entender, parece bastante filosófico. Certamente há diversas interpretações possíveis.

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  2. Li essa charada 500 vezes e até hoje não consegui entender sozinha! ahahha' Gostei bastante da interpretação do Samuel, acho que fez total sentido. Porque é que ela dá esse conselho a Alice? Faz tempo que li esse livro :)

    Saudades de você Sabrina!

    ResponderExcluir

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